segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Trem Desgovernado

Hoje, a Leila, que trabalha aqui em casa e vem lá de Nova Iguaçú, passou dificuldades no trem. Simplesmente não havia trens operando. Boatos pra cá, rumores pra lá e então descobri: o condutor de um dos trens saiu para uma averiguação e o trem não o esperou. Saiu andando. A locomotiva deve ter se sentido o máximo, poderosa e independente, seguindo seus próprios trilhos. Mas nós, homens, interpretamos como uma falha na tecnologia do sistema ferroviário que resultou no caso do trem desgovernado.
Essa é a questão. Cansei das reformas pra inglês ver. O dia-a-dia do trem, que não sai no London nem no NYtimes, não é tratado pelo governo. E não é só o trem que está desgovernado. São os ônibus, os hospitais, as escolas... total desgoverno maquiado pelo PAC, que de seu corpo de promessas só fez as unhas e continua emPACado. Nos conformamos, nada nos é impactante.
A rotina continua, são quase 17 horas, a Leila está aqui no Humaitá, e já já vai enfrentar o rush pra Nova Iguaçú. Lá para Morro Agudo, Comendador Soares. Conhece? Do Humaitá é fácinho chegar. Ônibus lotado, depois trem desgovernado na Central, ou metrô suvacado para a Pavuna depois mais um ônibus de sardinhas para terminar a viagem de quase duas horas. Mas a melhor das opções mesmo é pegar uma van ilegal ali em cima. Aí pega a tranquilidade do tráfego das 18 horas na Via Dutra. A Leila diz que é luxo, vai sentada. Acontece que agora, o chocante Choque de Ordem acabou com essa opção. As leilas, desassistidas pelas autoridades, optaram por esse modo de transporte, mas “não pode”. Cortaram a van e não melhoraram nada em troca. Vida que segue, o caminho tem que ser feito, então ela parte. Vai chegar em casa, comer, cuidar do filho e dormir, porque amanhã tem mais. E cuidado pra não se atrasar, pois o que não falta é patroa ignorante, amáveis como o crocodilo Dundee.
É moleza demais. Há, também, alguns detalhes - irrelevantes: o metrô está sem ar; o desodorante está caro; o ônibus não chega; se tiver van, a fila é imensa; e se chover tudo vira rio e o cabelo encolhe.
As leilas do Brasil sabem que esse trem está desgovernado. Os crocodilos, a turma da Mônica,o Ziraldo,a filha do Gabeira, o Netinho, a Preta Gil também sabem. Ao mesmo tempo, esses passageiros estão cientes de que, se não houver o apagão final em 2012, vai se dar um jeitinho de se acenderem as luzes antes da estação 2014 e de ligar o ar condicionado antes da 2016. Mas depois apaga tudo de novo. Para que gastar? São só brasileiros e a energia está cara.
Vida light, né?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

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terça-feira, 30 de junho de 2009

Um Brasil estagnado
Que não pára nem impulsiona
O comodismo é descarado
nada quebra nem funciona

Em movimento de sanfona
a política se reforma
vai, não vai, acaba em zona
e a mão-boba à casa torna

Malandragem na poupança,
começa a dança da vantagem
uma passagem pra frança
deixa a mudança na garagem

A elite vai bem
e não vai mudar
quem quer não tem
e quem tem não dá

quando o magro se esgüela
e o gordo enche a pança
uma mazela se releva:
a morte da esperança

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A ingenuidade

Eis, então, o que move o mundo.

Um passo é algo complexo. Em uma infinidade de possibilidades escolhemos uma e a aceitamos como verdadeira, de forma a podermos dar um passo. Depois do movimento, o mundo é outro. Novas possibilidades e apenas uma certeza: aqui, parado, está tudo bem. Ali, o talvez.
Se a racionalidade opera, o passo espera.
Com a ingenuidade, com o pulo da vontade, passamos pelos passos com firmeza e cheios de certeza.
País, ainda tem vontade de mover-se?
Com desculpas esfarrapadas, a comodidade da estagnação ganha espaço e tempo.
Tempo que não passa.
pó, destroços, capenguiçe e traça.

Um passo é um risco. Talvez seja melhor esquecer o petisco.
Brasil, então choras? Não, não. É só um cisco.

sábado, 28 de março de 2009

e a vida cotinua.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Sobre o Debate no Senado

Nessa terça-feira, o Senado foi palco de inédita discussão sobre a malha de corrupção que envolve todas as entranhas do cenário político do Brasil. Após a iniciativa do Senador Jarbas Vasconcelos de tratar abertamente sobre o desagradável problema, seguiram-se falas relevantes de importantes senadores que estavam presentes, enfatizando a situação degradante em que se encontram todas as casas de poder do país.
Mas eu já sabia, e eles também.
Desde o início da República, estiveram no poder muitos políticos sem compromisso com o ideal republicano e democrático: espertos, que se dão bem às custas do dinheiro público. Hoje, a paisagem não é nada melhor, e, sim, mais obscura. Trata-se de poderosos malandros impossíveis de se deter. Trata-se de uma rede corrompida de forma generalizada. Trata-se de uma elite política desonesta e intocável. E o pior, isso é óbvio.
Mas, então, foi discutido.
Por mais redundante que possa parecer discutir o óbvio e por mais atrasado que tal debate tenha chegado, o que se viu foi a exposição de ideias correntes na sociedade civil e o que se ouviu foi compatível com a abafada voz dos cidadãos brasileiros. Por meio de frases como “Nós somos os culpados, sim!” e citações como “ Deve-se ‘republicanizar’ a República” os senadores me deixaram orgulhoso.
Ingenuidade de minha parte? Bem, a simples existência dessa dúvida já é o retrato da descrença e da desesperança, e faz da resposta dependente do humor. Eu me apresento como otimista e acredito num país mais limpo.
Mas, terá o Brasil, o país que habituou-se à sua própria lepra, a vontade e a coragem de curar-se?